1 Ano do Blog Paisagem de Janela

Hoje, dia 09 de janeiro de 2013, o Blog Paisagem de Janela está comemorando 1 ano de vida. Embora eu tenha muito a agradecer, a companhia d...

Hoje, dia 09 de janeiro de 2013, o Blog Paisagem de Janela está comemorando 1 ano de vida. Embora eu tenha muito a agradecer, a companhia de vocês durante esse tempo, tudo que aprendi, tudo que conheci através desse vasto mundo dos blogs, resolvi não comemorar. Afinal, meu blog é filho de uma tragédia. Exatamente hoje, completa também 1 ano da tragédia ocorrida em minha cidade Além Paraíba e do bairro vizinho Jamapará-RJ devido as chuvas. Ficamos sem telefone e da necessidade de pedir socorro, nasceu o Blog Paisagem de Janela. Se você quiser, confira minha primeira postagem: Tragédia em Além Paraíba e Jamapará. Fiz várias postagens logo após, mas sempre tratando do que ocorreu. Logo depois que as coisas começaram a normalizar, decidi não acabar com o blog. E o transformei no que vocês conhecem hoje.



Esse ano aconteceu de novo a tragédia, mas em Xerém. Imagine como ficamos. Tudo o que eles passaram, tudo o que víamos pela TV revivíamos cada instante de terror passado aqui. No final de novembro, dei um depoimento para uma amiga fazer um trabalho da faculdade sobre as enchentes. Se quiser e puder, leia:

“Eram aproximadamente 22 horas do domingo 8 de janeiro. Pelas fotos que os amigos postavam nas redes sociais eu via que o Rio Limoeiro já invadia um bairro no nível mais baixo que o  meu, mas a história estava apenas se repetindo como nas chuvas anteriores. Desliguei o computador e fui assistir TV com minha família. Quando estava se aproximando de meia-noite, resolvemos nos preparar para deitar. Ao chegar em meu quarto, reparei que a água já começava a invadir meu quintal. Depois de 5 minutos olhei novamente e percebi que ela já estava onde nunca havia chegado antes. Chamei meus pais e a partir daí começamos a vigiar o nível do rio, que subia mais e mais. Percebemos que nossos vizinhos não acordavam, e então travamos uma pequena discussão: acordá-los ou não? Nos decidimos e ligamos pra casa deles. Eles acordaram e foram retirar a senhora que morava no primeiro andar. Quando vi meu pai e meu noivo já no meio da água com meus vizinhos tentando retirar a senhora da casa, não agüentei e desci feito louca. Começamos a colocar tudo da casa para cima. Entrei com água no meu pé. Fiquei aproximadamente 10 minutos dentro da casa e ao sair, quase fui arrastada. A água subia com uma velocidade imensa. Corremos para a casa ao lado, para ajudarmos outras pessoas, mas eu já não consegui atravessar o quintal. A moradora já saiu com água no pescoço. Foi quando ouvimos uma gritaria e voltamos a casa anterior. A moça do 2° andar não havia saído da casa e já tinha se formado uma correnteza na frente da casa. Foi preciso 4 homens para segurar o marido dela para que ele pudesse carregá-la no colo. Graças a Deus conseguiu. Isso tudo na escuridão, pois já estávamos sem luz. Nos restou irmos para a rua lotada de móveis e pertences das pessoas que moravam na beira do rio, e ficarmos esperando. A cada momento que passava, as águas do rio subiam mais. A partir daí, começamos a ouvir o barulho dos muros caindo. Quando entrei em casa para trocar a roupa que estava molhada, ouvi outro barulho. Logo imaginei que seria o segundo muro do meu quintal que havia caído. Quando pisei na área de serviço eu olhei em direção a casa dos meus vizinhos, não vi nada. Apenas um azul escuro da noite extremamente assustador. Não consegui dar mais nenhum passo e aos gritos mostrei a todos o meu desespero. Caí no chão de joelhos em estado de choque. A água tinha acabo de arrancar uma casa de dois andares onde a pouco tempo estávamos colocando móveis para o alto e retirando a moradora do 2° andar. Imediatamente juntamos nossos documentos e subimos para a casa de minha irmã que fica em uma parte mais alta. Eu, ainda em estado de choque, consegui apenas sentar na cozinha e chorar. A chuva não parava e a cada vez que se abria a janela, o barulho do córrego era estrondoso. O dia não amanhecia, foi a noite mais longa e mais aterrorizadora de toda a minha vida e creio que de muitas pessoas. Só lembro de implorar a Deus que a chuva parasse e o dia clareasse. Quando aconteceu, não tinha coragem de chegar na janela para olhar o estrago. Tinha medo de que a enchente tivesse levado minha casa e a dos meus demais vizinhos também. Quando enfim consegui chegar na janela, a visão era ainda mais assustadora. Não existia apenas 1 rio, existiam 2, pois uma rua paralela havia se transformado em um. A casa arrancada, agora estava no leito do rio. Os telefones não pegavam, nem a internet. Pelo rádio ouvíamos as pessoas dando notícias da parte baixa, e eles nem imaginavam como estava a parte alta da cidade. Estávamos ilhados e eles não sabiam nem o que havia acontecido conosco. Com o passar dos dias, algumas coisas foram se re estabelecendo aos poucos. Mas ficamos 17 dias sem água encanada. Com a casa suja de lama, e com o psicológico abalado.
Passaram-se quase 11 meses e na tarde de hoje (27/11) choveu bastante. São 23:12 e eu estou emocionada escrevendo esse relato, relembrando cada segundo de terror e cada centímetro que a água subiu; e quase chorando com medo por que o rio lá fora está subindo novamente.
Será que vamos passar o resto dos verões assim?”


Muito foi feito, mas ainda há muito o que se fazer. Confira alguns "Antes e Depois":




Agradeço a todos que me acompanharam até hoje, do fundo de meu coração. Esse ano que passamos juntos, foi bom demais. Espero completar muitos mais anos com vocês.




Leia também

0 Pessoas Comentaram!

#BlogPaisagemDeJanela