Secretário de Sapucaia apresenta panorama pessimista e deixa centenas com medo das chuvas

Instabilidade geológica pode rolar pedras na Metrama, deslizamentos no Centro e avalanches no São João Sessenta proprietários de imóveis des...

Instabilidade geológica pode rolar pedras na Metrama, deslizamentos no Centro e avalanches no São João
Sessenta proprietários de imóveis desde o campo do Mangueira até o bairro São João atenderam ao convite do secretário de Defesa Civil Marco Antônio Teixeira Francisco e compareceram ao encontro na Casa de Cultura de Sapucaia, no último domingo, para conhecer detalhes da Carta de Risco Remanescente/Iminente do Distrito de Jamapará, divulgado pela Equipe do Núcleo de Análise e Diagnóstico de Escorregamentos – NADE, do Departamento de Recursos Minerais do Rio de Janeiro, onde pretendiam esclarecer as recentes declarações  feitas por ele sobre os perigos que correm morando nesse trecho da encosta.
Composto em sua maioria por moradores das imediações da Igreja  Matriz, no Centro, e da Metrama, o público queria ouvir do secretário o diagnóstico do relatório do DRM e o plano de contingência  e suas ações executivas para o possível risco de deslizamento da encosta onde tem suas casas. O município de Sapucaia havia  ficado fora da lista de 31 municípios escolhidos pelo Estado como prioritários para o mapeamento das áreas de risco, devido ao histórico de estragos causados por temporais. O levantamento desenvolvido pelo Serviço Geológico do Estado levou quase dois anos para ser concluído e foi divulgado no fim de dezembro, quando as enchentes já faziam estragos. Encaixado na calha do Rio Paraíba do Sul, Sapucaia passa a ser considerado área de risco para a Defesa Civil e com base nesse relatório, os moradores pretendiam obter respostas, mas obtiveram ape-nas impressões de que estão a mercê da sorte.
Marco Antônio afirmou que todo o perímetro urbano está assentado numa estrutura geológica instável e pode se desmanchar sem aviso prévio, bastando para isso que chova mais que o normal. A declaração provocou uma moradora que indagou ao secretário o por  quê da opção por cons-truir o hospital numa área de risco e tendo ao seu lado uma nascente. “Construímos nossas casas na encosta e nunca notamos nada de perigoso, mas agora nos dizem que estamos em área de risco se chover é para sair de casa e se possível derrubar tudo com uma marreta”, desabafou, ficando sem a resposta.
O secretário já havia dito que não poderia remover a cidade do lugar em uma entrevista na TV Record, e nesta reunião foi além, ao declarar com naturalidade que “daqui uns dias Sapucaia vai se chamar “Sapucaiu”, mas segundo a secretaria de Comunicação, tudo não passou de um mal entendido, já que Marco Antônio, que é engenheiro civil, se referia ao terreno que já foi palco, no passado, de processos geodinâmicos perigosos, como voçorocas e deslizamentos de solo e rocha.
- “A população das áreas de risco remanescente/iminente com maior concentração de casas no centro de Sapucaia, deve estar atenta a possibilidade de escorregamentos ou deslizamentos também, já que em janeiro ocorreram desastres relacionados com este tipo de fenômeno em Jamapará”, lembrou Marco Antônio.
Mesmo diante das recomendações de evacuação dos imóveis em dias de chuva, os moradores estão dispostos a realizar obras de contensão e aceitam doar o material para ajudar a prefeitura nesse serviço, mas querem ouvir antes a opinião de um geólogo sobre a real situação das encostas. A notícia trouxe temor aos moradores, que não estão conseguindo dormir. Regina Alípio disse que sua filha de 13 anos não quer mais dormir em casa, pois está com medo. Tantas dúvidas levaram os moradores a  colher um abaixo-assinado, que foi protocolado na prefeitura dia 17 de janeiro e dirigido ao prefeito Anderson Zanon, mas que, segundo disse uma moradora, o prefeito desconhecia sua existência.
Na segunda-feira os moradores aproveitaram o fim do recesso da câmara municipal e foram até a sessão para usar a Tribuna Livre e pedir apoio aos vereadores, que se sensibilizaram e encaminharam requerimento para o prefeito sobre a situação. Na opinião do vereador Sérgio Jardim, a conduta do secretário foi descabida e se fosse ele o  prefeito o exoneraria imediatamente.

Secretário reafirma relatório do DRM
Marco Antônio Teixeira Francisco reafirmou que a sede do município de Sapucaia, tanto a sede, quanto Jamapará, já sofreram feições de escorregamentos no passado devido a sua geologia por processos geodinâmicos perigosos. Ele tem por base o documento conclusivo do DRM e diz que a carta de risco foi preparada com base em mapeamento de campo, observações de sobrevôos de helicóptero e interpretação de fotos frontais tomadas da cidade mineira de Além Paraíba. O estudo identificou 11 áreas de risco iminente no distrito de Jamapará, ameaçando 102 casas de acidentes como escorregamentos, deslizamentos de solo, erosão e até mesmo queda de blocos rochosos.
A carta delimita o risco remanescente e iminente em relação às áreas afetadas pelos escorregamentos recentes que causaram a morte de 22 pessoas no mês passado. Ele explica que os setores de risco remanescente são considerados aqueles extremamente críticos onde o material não mobilizado está prestes a se movimentar, bastando para tanto, chuvas menores que a registrada nos desastres de Janeiro. 
Segundo o DRM/RJ, trata-se, em última análise, das áreas onde os moradores devem ser evacuados de pronto, sem, contudo, promover a demolição das casas, uma vez que estas casas ainda protegem outras casas situadas a jusante. 
Já os setores de risco iminente são considerados aqueles críticos, onde os condicionantes geológicos e uso do solo no setor indicam uma probabilidade de destruição imediata de uma ou mais moradias e/ou de mortes. 
Marco Antônio afirmou ainda que o poder de resposta do município a este tipo de desastre natural não existe. – “O município sozinho não tem como atender a demanda que está apresentada e constatada pelo DRM/RJ”.
Em nota do setor de comunicação da prefeitura, “a Secretaria Municipal de Defesa Civil e a própria Secretaria Municipal de Obras de Sapucaia alegam que terão que hierarquizar as suas ações de evacuação, interdição ou remoção das casas, ou mesmo definir aquelas que permitam, ainda que de forma temporária, a convivência com o risco”.
Está programada para acontecer em curto espaço de tempo a colocação de sirenes em pontos estratégicos visando o alerta para evacuação das áreas em caso de emergência ou iminência de perigo, que será realizada pelo governo do Estado, que ainda não divulgou o início da implantação do sistema.

Em nota oficial prefeitura contesta jornalista e se defende
A Prefeitura de Sapucaia divulgou nota informando  que o  texto apócrifo publicado em blog de Jamapará que tem com signatário o radialista de Além Paraíba - MG, Edney Jones Moraes, não é verdadeiro e que o trabalho desenvolvido por toda equipe do executivo municipal para auxiliar os desabrigados, desalojados e toda população atingida pela tragédia que assolou o distrito de Jamapará no dia 09 de janeiro tem sido imensurável. 
A nota prossegue dizendo que no dia 17 de janeiro o prefeito  Anderson Zanon esteve no Ministério das Cidades  e foi recebido pela Diretora do Departamento de Produção Habitacional, Maria do Carmo, estando acompanhado pelo Deputado Federal Glauber Braga/PSB, ex-relator da Comissão Especial de Medidas Preventivas Diante das Catástrofes Climáticas, que levou na bagagem as escrituras de terrenos de propriedade da prefeitura no Clube dos 200, em Jamapará, além de planilhas de custo, plantas e toda documentação que garantiriam a construção de pelo menos 80 unidades habitacionais para atendimento ás vítimas dos deslizamentos ocorridos. Cerca de R$4 milhões.
Na quinta-feira (19) o Prefeito Anderson Zanon recebeu das mãos do Ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, cartão de pagamento da Defesa Civil que permitirá ao município auxiliar as famílias atingidas pelo deslizamento ocorrido em Jamapará. Na ocasião o governo federal disponibilizou a verba de R$ 150 mil que servirá para arcar com despesas da compra de mantimentos, pagamento de aluguel social, combustível, e outras despesas necessárias.
Zanon, já disponibilizou junto a Caixa Econômica Federal, subvenção econômica para participar, excepcionalmente, na modalidade do Fundo de Arrendamento Residencial – FAR, uma vez que se trata de uma proposta em que o governo, por meio da instituição financeira, irá liberar recursos, tanto para a construção quanto para a compra do terreno.
De acordo com informações do Gerente da Caixa Econômica Federal de Sapucaia, Gerson Tavernari, o número de unidades habitacionais poderá ser ampliado. Segundo o gerente, as construtoras interessadas no empreendimento já cadastradas na CEF visitaram esta semana o local onde serão construídas as unidades habitacionais em Jamapará.
Quanto às declarações do Secretário de Planejamento e Defesa Civil, Marco Antônio Teixeira Francisco, em relação à sonora concedida a TV Record RJ onde cita que Jamapará significa: “Pedra que cai”, a Prefeitura tem a informar que o secretário encontrava-se extremamente esgotado fisicamente, extenuado e apresentando alto nível de stress, com um grau acentuado de cansaço mental, após uma semana sem dormir adequadamente, produzindo uma resposta que segundo ele, foi mal interpretada e que em momento algum teve a intenção de produzir o efeito negativo gerado.

Nota do editor: na linguagem Tupi, a expressão Jamapará significa “caixa do rio” (jama + pará), mas ape-nas o sufixo “pará” é recorrente no entendimento como sendo “rio” e “jama”, por sua vez, pode ser uma caixa ou um caminho obrigatório.




Leia também

1 Pessoas Comentaram!

  1. E muito bom ele ver os acontecimento do lugar
    Novo Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=06avCiMDYGA
    Blog:http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br

    ResponderExcluir

#BlogPaisagemDeJanela